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Verdadeiros Líderes lidam bem com pessoas, influência e cultura, enquanto que gerentes lidam bem com processos, estratégias e estruturas. Ocorre que na vida real precisamos que uma mesma pessoa atue em ambos os papéis, pois é esperado que a capacidade técnica e operacional viesse acompanhada da habilidade de mover e inspirar as pessoas em prol de uma visão de futuro que possa ser coletiva.
Certamente você já leu algo ou debateu sobre este tema em alguma roda de conversa. É verdade, o tema é antigo, porém não obsoleto, e as questões que o envolvem são relevantes e muito atuais. A pergunta crucial que devemos nos fazer é porque um tema antigo e tão largamente estudado e discutido ainda não foi superado? Algo nos escapa.
Permanece o fato que os resultados de toda organização dependem de bons líderes, não importando se você está inserido em um ambiente mais ou menos competitivo, ou com uma maior ou menor margem de lucro. Gestão, direção e liderança sempre serão cruciais.
Neste texto, gostaria de chamar atenção para um relevante fator desta equação que negligenciamos: o autoconhecimento. Lemos bons livros e excelentes artigos sobre liderança que fazem todo o sentido, mas, na pratica simplesmente não conseguimos fazer a transição de modo eficiente. Mudamos temporariamente alguns comportamentos e procedimentos, porém velhos hábitos e crenças simplesmente permanecem e quando percebemos muita coisa já retrocedeu. Compreender, respeitar e aceitar quem realmente somos é o ponto de partida pra qualquer mudança consistente, sem este passo rodamos em círculos, o paradoxo é que justamente este o ponto que queremos pular.
Independentemente do perfil comportamental do líder, o que não vai interferir no seu desempenho, gosto da definição de um bom líder como aquele que tem capacidade de influenciar as pessoas. Simples assim, é aquele que tem seguidores, atentando para o detalhe que o seguidor é livre para fazê-lo, ou seja, descartamos aqui aqueles que o fazem por medo (mecanismos de coerção), autopromoção (bajulador) ou reconhecimento (meio para conquistar uma meta). Tendo esta definição em mente vamos parar e pensar um pouco sobre o que faz com que sigamos determinadas pessoas. De forma simplificada destacamos quatro fatores:
- Autenticidade, a pessoa tem a capacidade de ser franca e espontânea sem agredir ou acuar ninguém.
- Confiança, a pessoa está pautada em valores como justiça e transparência.
- Coragem, para posicionar-se e assumir riscos necessários.
- Flexibilidade, no sentido de alterar seus planos se preciso for.
Uma única chave desvenda todos esses atributos, e esta chave é o autoconhecimento e apesar de termos avançado nesta direção no ambiente organizacional, o fato é que este tema ainda não ocupa seu devido lugar na pauta.
Este texto não tem como proposta a exploração de técnicas ou ferramentas de autoconhecimento, mas chamar a atenção para este tema que é central na liderança. Finalizamos então com duas reflexões que forjam um líder genuíno e que somente pessoas com uma boa dose de autoconhecimento são capazes de expressar:
- A capacidade de ser franco e espontâneo sem ser hostil ou inconsequente passa pela confiança em expressar sentimentos e pensamentos sem a necessidade de submetê-los a muitos filtros antes. Só atinge esta proficiência quem investiu em mapear o que sente e entende porque alguns pensamentos e sentimentos surgem em determinadas circunstâncias, sobretudo aprendeu a fazer esta autogestão. Não nascemos com este drive instalado, essa é, portanto, uma conquista que requer um olhar para dentro e um trabalho a ser feito.
- A habilidade para flexibilizar posições já assumidas ou expressas passa pela capacidade de estar aberto ao ambiente exterior, que pode trazer novos inputs que exijam novas posturas, o que é mais fácil de ser feito. Mas também pela capacidade de estar aberto ao ambiente interior, não apenas para reconhecer quando sua voz interna tem um ponto novo e relevante a ser considerado, mas sobretudo ter a coragem de assumir esta nova posição sem prejuízo da sua auto estima.
Quanto maior a consciência de si, de seu impacto no ambiente e sobre si mesmo, melhores chances o líder cria para realizar, mudar e liderar... O líder consciente tem ciência deste fato e não negligencia o poder do autoconhecimento na sua trajetória.